Cerest denuncia abandono de trabalhador queimado

Jesus dos Santos, do Cerest, constatou, nesta segunda-feira, situação do trabalhador

Jesus dos Santos, do Cerest, constatou, nesta segunda-feira, situação do trabalhador

O Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) esteve, na noite desta segunda-feira (06), em um restaurante de comida japonesa, localizado na avenida Jundiaí, para apurar denúncia de falta de assistência a um ajudante de cozinha, vítima de graves queimaduras decorrentes de acidente no local, no dia 8 de março deste ano.

Acompanhado de policiais da equipe Sicma 1, do Setor de Meio Ambiente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), funcionários do órgão analisaram documentos e condições de trabalho no estabelecimento, constatando inadequação no espaço onde o acidente de trabalho ocorreu.

De acordo com o gerente do Cerest, Jesus dos Santos, o proprietário do restaurante Tuy Sushi alegou ter adquirido o comércio recentemente, tendo o fato, segundo ele, se dado com o dono anterior. Apesar disso, negou desassistência ao funcionário, afirmando estar dispensando cuidados ao acidentado, de 19 anos. Hoje, o jovem vive praticamente sem poder se levantar da cama de um alojamento locado pelo restaurante para ele e outros seis trabalhadores – onde também o Cerest esteve nesta segunda-feira (06) -, localizado na rua José Leme do Prado, no Jardim Primavera.

Jesus observou ainda a falta de emissão pelo empregador do CAT (Comunicação de Acidente de Trabalhos), inviabilizando ao ajudante de cozinha, até o momento, receber tratamento médico adequado do Sistema Único de Saúde (SUS). “O empregador tem essa obrigação”, acrescentou Ismael Nascimento, também do Cerest. Segundo os funcionários do órgão, não foi possível, nesta segunda-feira (06), acesso ao contrato social da empresa para verificar a alegação de mudança de proprietário, uma vez que o documento estaria em um escritório responsável por cuidar dos trâmites legais. A análise ficaria para os próximos dias.

Acidente – Com as duas pernas e parte de um braço bastante queimados, Claudevan Salustiano dos Santos conversou, nesta segunda-feira (06), com a reportagem do Jornal de Jundiaí Regional e deu detalhes do ocorrido com ele no dia 8 de março deste ano. Deitado em uma cama de solteiro, sobre o mesmo lençol usado já há dois dias e sujo pelo próprio sangue, relatou, próximo a muita sujeira no chão, a quase impossibilidade de locomoção e falta de cuidados médicos recebidos, além da dificuldade na própria higiene pessoal.

Sobre o acidente, contou que estava perto de um tacho com óleo fervente e, ao se aproximar para verificar um alimento que estava em seu interior, escorregou. “Bati a mão no tacho e ele virou em cima de mim”, disse. Apesar dos ferimentos aparentes, o jovem chegou a afirmar que, enquanto conversava com a reportagem, não estava sentindo “muita dor”. No dia do acidente, ele chegou a ficar apenas um dia no Hospital São Vicente de Paulo, que o liberou para acompanhamento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

“É muito claro que ele está totalmente desassistido, também financeiramente, já que não está recebendo do empregador nem do INSS”, comentou Jesus dos Santos. Segundo o gerente do Cerest, o órgão já conseguiu tratamento adequado para o rapaz, que terá início ainda hoje. Segundo os investigadores Fernando e Nenê, do Sicma 1, o Setor de Meio Ambiente da DIG também deve instaurar um inquérito policial para apurar melhor o caso. A unidade é chefiada atualmente pelo delegado Marco Antonio Ferreira Lopes.

Fonte: Jornal de Jundiaí

Publicada em 06/04/2015

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